Eles estão aperreados
Por Claudomir Tavares * | claudomir@ubbi.com.br

Há pelo menos 15 anos que as aulas de História no Colégio Estadual José Amaral Lemos e há 7 na Escola Municipal Mário Trindade Cruz, ambas na cidade de Pirambu, ganharam às ruas, povoados e cidades de Sergipe, levando neste período milhares de estudantes a conhecerem e re-conhecerem o “sítio” histórico da cidade de Pirambu, os povoados na zona rural do município, as cidades de São Cristóvão, Laranjeiras, as regiões de Xingo e Baixo São Francisco.
Na última sexta-feira, dia 09, alunos dos 3º Seriados A e B embarcaram em uma “viagem” pelo que chamamos de “sítio” (centro) histórico da cidade de Pirambu, dentro de uma aula de educação patrimonial, prevista no programa da disciplina História, por nós ministrada naquela unidade de ensino.
Nesta primeira etapa do Projeto, que terá continuidade no dia 30 de Novembro, agora percorrendo os povoados de Pirambu, eles percorreram um roteiro que incluiu visita a pontos de referência histórica da cidade, alguns existindo apenas em nossas lembranças, pelas transformações arquitetônicas ou foram demolidos para dar lugar a outras construções, muitas sem qualquer critérios, planejamento ou preocupação com a memória de nosso cidade.
Foram seis paradas para exposição dialogadas:
· Agência do Banco do Brasil, local onde de 1979 a 1984 funcionou a Escola Municipal Mário Trindade Cruz,
· Avenida Agostinho Trindade, próximo a Colônia de Pescadores, fundada em 1911 e da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, cuja primeira localizada ao lado da mais nova foi edificada em 1912,
· Sede da Prefeitura Municipal de Pirambu, transferida da Avenida Agostinho Trindade, onde funcionou desde 1965 para a Praça Nª Sª de Lourdes na administração do prefeito Daniel Luiz dos Santos (1977/1983),
· Ancoradouro de Pesca de Pirambu, cuja história inclui a existência de um Cassino, da primeira tentativa de construção de uma ponte ligando Pirambu a Barra dos Coqueiros, a Pirambu Pesca, o Condepi e o Entreposto de Pesca vinculado a Colônia de Pescadores,
· Ponte da Amizade que liga os municípios de Pirambu a Barra dos Coqueiros, inaugurada em 2002, local onde se discutiu aspectos ligados a expansão urbana de Pirambu, o rio Japaratuba e o manguezal,
· Atalainha, local onde atualmente está a Orla de Pirambu, conjunto de casas que foram construídas por propiaenses que foram homenageados com o nove de Rua Própria no início dos anos 80,
· Praça de Eventos, onde atualmente funciona as sexta-feiras, a feira semanal de Pirambu.
Lamentável – O fato ilário em tudo isso é que, desconhecendo toda esta trajetória de ensino que leva os estudantes aos locais onde a história aconteceu, acontece e pulsa na memória coletiva de Pirambu, é que ao chegarmos à frente da Prefeitura Municipal, espaço público de domínio popular (pelo menos deveria ser) uma movimentação foi verificada em seu interior. Seguranças foram posicionadas, interventor que não se encontrava no interior do prédio foi avisado da movimentação que segundo se apurou, temiam uma “invasão” ao interior do prédio, como se ali fosse uma manifestação, um protesto contra os atos do interventor (havia motivação para isso?). Quanta imaginação!
Esperamos que a situação esteja explicada e que os espaços públicos de Pirambu (inclusive a frente da prefeitura) possam ser ocupados por populares, os quais se incluem professores e estudantes.
* Professor de História das escolas José Amaral Lemos (rede estadual) e Mário Trindade Cruz (municipal) em Pirambu.